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Inventalíngua - A casa. A palavra: como foi?

 

São Paulo, 30 de Agosto de 2015.

Na segunda edição do projeto Inventalíngua fizemos uma atividade lúdica de descoberta poética que relacionou o espaço físico da Casa das Rosas – e seus objetos – e a linguagem inventiva da poesia.

 

Selecionamos um repertório de poesias que versassem sobre cômodos, paisagens e objetos comuns em uma Casa ou sobre as relações que normalmente são estabelecidas nos espaços  de morar. Espalhamos essas poesias em pontos e/ou móveis específicos da Casa e convidamos os participantes à circularem pela Casa das Rosas em busca dessa poesia. Muito diferente de uma “corrida” com o objetivo de “quem acha mais” poemas, a proposta era que as pessoas aproveitassem a observação da Casa para ler as poesias e deixarem a imaginação lhes conduzir para outras casas, locais de convivência, sensações e memórias.

 

Após essa deriva, nos reunimos e conversamos sobre essa experiência. Muitos relembraram outras poesias ou músicas que foram surgindo ao longo da vivência. Também disponibilizamos outros poemas para enriquecer este momento de partilha dos poemas. Sem nos darmos conta,  estávamos fazendo um sarau de poesias (achadas na Casa ou na casa-memória de cada um).

 

 

 

 

 

Ao final os participantes receberam um conjunto de todos os poemas selecionados.

Veja abaixo um deles:

 

A chave

 

E de repente

o resumo de tudo é uma chave.

A chave de uma porta que não abre

para o interior desabitado

no solo que inexiste,

mas a chave existe.

Aperto-a duramente

para ela sentir que estou sentindo

a sua força de chave.

O ferro emerge da fazenda submersa.

Que valem escrituras de transferência de domínio

se tenho nas mãos a chave-fazenda

com todos os seus bois e seus cavalos

e suas éguas e aguadas e abantesmas?

Se tenho nas mãos barbudos proprietários oitocentistas

de que ninguém fala mais, e se falasse

era para dizer: os Antigos?

(Sorrio pensando: somos os Modernos

provisórios, a-históricos...)

Os Antigos passeiam nos meus dedos.

Eles são os meus dedos substitutos

ou os verdadeiros?

Posso sentir o cheiro de suor dos guarda-mores,

o perfume-Paris das fazendeiras no domingo de missa.

Posso, não. Devo.

Sou devedor do meu passado,

cobrado pela chave.

Que sentido tem a água represa

no espaço onde as estacas do curral

concentram o aboio do crepúsculo?

Onde a casa vige?

Quem dissolve o existido, existindo

eternamente a chave?

O menor grão de café

derrama nesta chave o cafezal.

A porta principal, esta é que abre

sem fechadura e gesto.

Abre para o imenso.

Vai-me empurrando e revelando

o que não sei de mim e está nos Outros.

O serralheiro não sabia

o ato de criação como é potente

e na coisa criada se prolonga,

Escuto a voz da chave, canavial,

uva espremida, berne de bezerro,

esperança de chuva, flor de milho, o grilo,

o sapo, a madrugada, a carta,

a mudez desatada na linguagem

que só a terra fala ao fino ouvido.

E aperto-a, aperto-a, e de apertá-la,

ela se entranha em mim. Corre nas veias.

É dentro de nós que as coisas são,

ferro em brasa – o ferro de uma chave.

Carlos Drummond de Andrade


O Inventalínigua é um projeto desenvolvido por dois setores da Casa das Rosas, o Núcleo Educativo e o Centro de Referência Haroldo de Campos. A cada edição uma proposta lúdica e experimental voltada para a poesia e literatura muitas vezes inspirados na poesia concreta e no trabalho do poeta Haroldo de Campos, cuja produção tem íntima relação com seu ofício de tradutor e crítico literário. 

 

 


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