object(mysqli_stmt)#3 (10) { ["affected_rows"]=> int(1) ["insert_id"]=> int(0) ["num_rows"]=> int(0) ["param_count"]=> int(1) ["field_count"]=> int(13) ["errno"]=> int(0) ["error"]=> string(0) "" ["error_list"]=> array(0) { } ["sqlstate"]=> string(5) "00000" ["id"]=> int(1) } Casa das Rosas
BUSCAR
Twitter
Twitter
Instagram
Facebook
 
NÚCLEO EDUCATIVO VISITAS EDUCATIVAS PROGRAMAÇÃO NOTÍCIAS MATERIAL DE APOIO
AO PROFESSOR
CONTATO

NOTÍCIAS

Como foi?: Visita Integrada CDR & MAS

A Casas das Rosas e o Museu de Arte Sacra realizaram uma visita integrada cujo mote voltou-se às concepções e idéias que fazemos de nossos corpos: são instrumentos de nossa ação?, podem alterar-se de acordo com nossa vontade?, quais as possibilidades que ele nos apresenta?, o corpo define aquilo que somos socialmente?

 

Por meio desses questionamentos, elaboramos uma ponte entre as esculturas eclesiásticas beneditinas, franciscanas e jesuíticas com a obra A Metamorfose de Franz Kafka para, assim, conceber uma relação entre a estatuaria barroca e a transitoriedade e constante controle físico que encontramos como tema-chave nas obras kafkiana; dessa – forma – nosso encontro foi nomeado como “Da Lama ao Caos: as noções de corpo da escultura colonial à Metamorfose de Kafka”.

 

 

Iniciamos nosso dia com uma atividade que propôs aos participantes descreverem-se por meio de algumas essências dispostas numa mesa central: sal, açúcar, café, gengibre, manjericão, orégano... foram disponibilizados de maneira a cada um escolher uma mescla de dois desses elementos que pudessem trazer à tona sua identidade, isto é, como duas essências conjuntas podem descrever quem sou eu e, além, indicar como enxergo o mundo.

 

 

Por meio de uma deambulação no espaço do Museu de Arte Sacra, pertencente ao complexo do mosteiro da luz, tivemos um contato inicial com o material-base para as nossas discussões: o barro como matéria-prima. Da era colonial, o conjunto arquitetônico que em melhores condições chegou aos nossos dias, na cidade de São Paulo, é sem dúvida o Recolhimento da Luz. De uma cidade toda edificada em taipa de pilão, poucos exemplares restaram de edifícios realizados nessa técnica. A taipa-de-pilão é conhecida como uma técnica de prensa de barro mesclado a outros matérias capazes de conferirem-lhe liga estrutural, possibilitando a construção de grandes edificações de forma veloz na ausência doutros materiais. 

 

 

O barro guiou nossa visita como elemento-chave à medida que chegamos à exposição  “Mestres Santeiros Paulistas do Século XVII na coleção Santa Gertrudes” cuja coleção brinda-nos com uma vasta série de exemplares de estátuas oriundas do século dezessete e dezoito desenvolvida por uma gama de mestre santeiros, os quais, poucos exercem a prática da autoria em suas obras. Dessa forma, destacamos nas esculturas a forma como essas foram criadas de maneira a proporem diferentes formatos de corpos e, conseqüentemente, a carga simbólica que tais posições despertam – sendo a preocupação fundamental de tais análises a representação de suas idéias ao invés das características de proporção e processos de fatura.

 

 

Por meio da reflexão e provocação de como uma tal essência, um estar-em-obra das idéias pode ser representado num trabalho através do olhar de um artista, tencionamos  essas relações por meio de questionamentos acerca do quê se pensava como construção de um imaginário de um corpo sagrado, contudo, apesar de sacro, cada um com suas particularidades frente à construção de um ideário, ou seja: de uma iconografia.

 

 

Após o primeiro momento da visita-integrada desenvolvida no Museu de Arte Sacra fomos à Casa das Rosas navegar pelo universo de Franz Kafka com a exposição denominada Um Corpo Estranho. Inaugurada em 2015, a exposição comemora o centenário de publicação da obra A Metamorfose e traça um panorama acerca dessa obra e de todas as suas outras produções que esboçam como o corpo pode ser um instrumento de controle, questionamento e indagação.

 

 

Por sua importância no conjunto da obra de Kafka, como síntese de questões provocadas tanto na concepção e construção ficcional – estilo que resultou numa profunda renovação dos modelos de narrativa contemporânea –, como na recepção provocada na crítica, na opinião pública, no universo crescente de leitores de vários países e nos estudos literários, a exposição “Um Corpo Estranho” propõe uma releitura de “A Metamorfose” a partir do diálogo entre o texto, os diários, a obra “Carta ao Pai”, os aforismos e os autores que refletiram ou resgataram o legado kafkiano.

 

O estranhamento do texto de Kafka está de muitas maneiras entranhado na linguagem – vale notar como suas obras apresentam uma quantidade ímpar de dicotomias e contradições que se fazem presentes justamente por conviverem no mesmo universo e tempo, em ser-obra contínua de um fluxo temporal não-linear. A construção protocolar do texto, muitas vezes próxima do relatório, do documental, com objetividade, ao passo que as situações e personagens escapam ao senso comum, habitando um espaço e um tempo que parecem de exceção, às vezes oníricos, noutras próxima ao bizarro.

 

 

A Metamorfose de Kafka trabalha com a normatização do estranhamento e da deformação causadas pelo absurdo da condição do sujeito numa ordem familiar e social que não escolheu, mas à qual se submete, mesmo que não se sinta adequado a ela, que não a entenda senão como obrigação, ou que não tenha acesso às suas razões, sem questionar o sentido da função que precisa desempenhar como funcionário e filho.

Vale enfatizar uma conexão preponderante entre os escritos kafkianos e o pensamento de Jean Michel-Foucault[i] que exploram como o controle do corpo é uma das relações mais preponderantes de nossa época industrial e, não só, do controle capital relacionado à disciplina das instituições governamentais frente à idéia de livre-arbítrio enquanto prática do desejo-puro.

 

 

Dessa maneira, propusemos aos participantes que esses além de mergulharem no universo kafkiano em que o fantástico e o natural convivem lado a lado observassem o que e, como, o corpo pode ser um instrumento que se relaciona diretamente com o espaço, produz política – convivência e imanência.

Por meio desse gancho realizamos uma atividade mesclando as idéias e conceitos que temos de corpo com as imagens sacras – o corpo como barro e o agente como escultor. Por meio de uma ação em que os participantes foram divididos em duplas, propusemos que o corpo fosse o instrumento de trabalho – enquanto um participante torna-se matéria a ser modelada, o outro, tornava-se corpo modelante, escultor da práxis.

 

Palavras relacionadas a conceitos da obra kafkiana como: grotesco, subjetivo, angústia, difusão... foram entregues às duplas para que cada uma pudesse explorá-la de forma física, o quê é a representação destes conceitos enquanto ocupação corpórea do espaço? Como relacioná-las à sensação que temos duma obra – motes como esses permearam nossa oficina revelando-nos como o costume que temos da idéia de nós mesmos enquanto sujeitos materiais é subjetiva e passível de mudanças em diferentes planos conceituais, sejam esses simbólicos, técnicos e, ou, motores.

 

 

 

 

 

 

 

Àqueles que possuem interesse de explorarem as temáticas discutidas na visita-integrada com relação ao corpo e como esse pode enquanto instrumento cênico tornar-se um catalizador das mensagens simbólicas deixamos abaixo integralmente o filme “A Metamorfose” de 1975 dirigido por Jan Nemec.

 

A Metamorfose, tradução do termo alemão “Verwandlung” originalmente retrata a idéia, como tempo-total, da transformação da lagarta em borboleta, embora também se refira às transformações contínuas que, em si, cambiam nosso ser como um todo.

 

 

 

[i] FOUCAULT, MICHEL. Vigiar e Punir. São Paulo: Editora Vozes, 2015


CASA DAS ROSAS
ESPAÇO HAROLDO DE CAMPOS DE POESIA E LITERATURA
+55 (11) 3285.6986 | 3288.9447 contato@casadasrosas.org.br
Av. Paulista, 37 Bela Vista CEP 01311-902 São Paulo Brasil
HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO DO MUSEU
Terça-feira a sábado, das 10 às 22h
Domingos e Feriados, das 10 às 18h.
(Passível de alteração, de acordo com a programação).
Governo do Estado de São Paulo
TRABALHE CONOSCO COMPRAS E CONTRATAÇÕES RELATÓRICO DE ATIVIDADES CONTRATO E GESTÃO SECRETARIA DA CULTURA OUVIDORIA