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Como foi?: Tipofoto - Entre Letras e outros Rumos

São Paulo, 6 de dezembro de 2015

 

A oficina Tipofoto explorou através da fotografia conceitos-chave acerca do fazer e do pensar tipográfico tomando como suporte o espaço da cidade e dos contextos urbanos como agentes de comunicação.

 

Por meio de uma prática deambulante conhecida como deriva baseada nos estudos do movimento Situacionista proposto pelo artista e escritor Guy Debord realizamos uma caminhada pela Avenida Paulista e suas circunvizinhanças com o intuito de buscarmos imagens de letras e, além:  ícones que possam compor  e gerar desenhos de letras sem sequer a elas diretamente se assemelharem.

 

“Entre os diversos procedimentos situacionistas, a deriva se apresenta como uma técnica ininterrupta através de diversos ambientes. O conceito de deriva está ligado indissoluvelmente ao reconhecimento de efeitos da natureza psicogeográfica e à afirmação de um comportamento lúdico-construtivo, o que se opõe em todos os aspectos às noções clássicas de viagem e passeio.”

Guy Debord – A Teoria da Deriva

 

 

A partir dos registros compilados em nossa deriva tipográfica passamos por alguns conceitos sobre tipologia e anatomia das letras por meio de análises e demonstrações que evidenciam como o desenho das letras, ademais de possuir regras técnicas, pode ser livre e múltiplo principalmente ao dirigir nossa atenção às letras e letrismos que rondam nosso dia-a-dia: a tipografia vernacular, a tipografia nominativa, o letreiramento, as epigrafias arquitetônicas – a pixação (ver Pichação não é Pixação – LASSALA, Gustavo. São Paulo: Editora Altamira, 2010).

 

 

 

 

Por meio dessas análises abordou-se a relação do conceito de Tipofoto elaborado pelo designer húngaro László Moholy-Nagy ex-professor da escola alemã Bauhaus cujo trabalho abordou como a fotografia e as novas tecnologias de reprodução de imagens são capazes de libertar-nos das diretrizes técnicas de composição tipográfica alçando a criação à uma qualidade livre e plástica como antes nunca se havia feito.

 

Ao chegar à Bauhaus em 1923, com vinte e oito anos, László Moholy-Nagy escancarou as portas dessa famosa escola de arte e fez ressoar por suas salas as conversas sobre tecnologia. As obsessivas discussões desse construtivista húngaro e seus experimentos com imagens fotográficas – o fotograma, o fotoplástico e, por consegüinte, o tipofoto anteciparam o papel emergente da tecnologia tanto na estética como na prática do design gráfico. Moholy-Nagy confiava no efeito objetivo, coletivo e depurador da câmera com relação ao significado. Para ele, a integração de palavra e da imagem fotográfica constituía um poderoso antídoto à natureza ambígua do texto. Toda vez que mesclamos imagens em nossos leiautes, estamos aludindo à sua tipofoto.

 

 

 

A tipografia é a comunicação composta por tipos. A fotografia é a representação visual daquilo que pode ser opticamente apreendido. A Tipofoto é a tradução visualmente mais acurada da comunicação. Toda época possui seu enfoque óptico. Em nosso caso: a da internet pós-cinematográfica; o signo elétrico, a simultaneidade de eventos perceptíveis sensorialmente.

 

A tipografia de Gutemberg que perdurou quase até os nossos dias move-se apenas na direção linear. A intervenção do processo fotográfico, assim como a poesia concreta, a estendeu a uma nova dimensão, hoje conhecida como total.

 

 

Em vez de, como antes, usar-se a tipografia meramente como um meio objetivo, agora se tende à tentativa de incorporá-la, assim como os efeitos potenciais de sua existência subjetiva, no conteúdo.

Os próprios materiais tipográficos contêm acentuadas tangibilidades ópticas, por meio das quais convertem o conteúdo da comunicação em um formato diretamente visível – e não apenas de modo indiretamente intelectual.

 

A tipofoto dita o ritmo da nova literatura visual. Esse modo de comunicação sinóptica além de ser amplamente explorado noutros planos como no cinema e na poesia concreta, também possibilita àqueles interessados em tipos em desenvolver suas próprias famílias tipográficas livres das amarras dos desenhos técnicos.

 

 

Breve glossário terminológico:

 

Tipografia (typography) é o conjunto de práticas e processos envolvidos na criação e utilização de símbolos visíveis relacionados aos caracteres ortográficos (letras) e paraortográficos (números, sinais de pontuação etc.) para fins de reprodução em série.

 

Caligrafia (caligraphy) é o processo manual para a obtençãode letras únicas, a partir de traçados contínuos à mão livre.

 

Letreiramento (lettering) é o processo manual para a obtenção de letras únicas, a partir de desenhos (não são transformados em arquivos digitalizáveis).

 

Caractere (character) ou Glifo (glyph) é o conjunto de práticas e processos envolvidos na criação e utilização de símbolos visíveis relacionados aos caracteres ortográficos (letras) e paraortográficos (números, sinais de pontuação etc.) para fins de reprodução em série.

 

Corpo tamanho específico utilizado em uma fonte. Geralmente utilizando pontos como medidas.

 

Fonte (font) um conjunto de caracteres em um corpo e estilo (CHENG, 2006, p.10). Ex: Univers Condensed de 12 pontos. Contém a descrição das características físicas das letras, ou seja, como elas devem ser desenhadas durante a impressão.

 

 

 

 


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