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Acesso Remoto: os museus e as novas gerações

São Paulo, 16 de junho de 2016.

 

Diálogo | Educação

 

Nesta edição do Acesso Remoto – Os Museus e as Novas Gerações contamos com a presença e especial fala das equipes do Museu de Arte Sacra (MAS) e da Casa Guilherme de Almeida (CGA) que integraram nossa discussão acerca das possibilidades e potências que as novas mídias e tecnologias têm como força-motriz nos museus e demais espaços culturais.

 

Abrimos nossa discussão com o Museu de Arte Sacra expondo as novas estratégias que adotaram para potencializar o uso das novas mídias como forma de promover suas atividades e, além: favorecer o contato daqueles que não têm a possibilidade de ir ao museu para conhecê-lo melhor. O uso das linguagens nômades – linguagens que transitam entre universos simbólicos diferentes, sejam virtuais ou palpáveis, como as hashtags (sustenidos ou jogos-da-velha) que possibilitam a divulgação das atividades promovidas pelo Museu entre grupos diversos.

 

É interessante como as ações voltadas à divulgação do Museu trazem à tona informações que muitas vezes não chegam de forma direta e clara ao público como as áreas de restauro das peças pertencentes ao acervo e de escaneamento digital.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O uso da tecnologia sobre a perspectiva educativa no universo dos museus traz também alguns pontos essenciais para questionarmos como esses espaços se inserem na sociedade a fim de poderem (des-)construir significados e mitos referentes às obras que expõem.

 

A tecnologia nesse sentido tem um importante papel desvelador do sentido daquilo que podemos entender por aura[i], desmistificando um olhar sagrado que muitas obras de arte possuem ao seu redor, lembrando-nos que tal visão é produto derivado das convenções socioeconômico-políticas que compõem um sistema simbólico e orientador de nossas visões e crenças frente àquilo que compreendemos por arte[ii]. Como exemplo de tal relação o Museu de Arte Sacra propõe a apresentação das digitalizações das obras de forma aberta ao público que acessa suas mídias virtuais de divulgação.

 

 

 

 

Pode-se também citar suas ações referentes à divulgação da chamada Obra da Semana – uma obra de seu acervo que se encontra exposta e que quando divulgada acompanha uma análise de seus elementos formais, incitando o público a poder discuti-la virtualmente ou no próprio museu.

 

 

Contamos também com a rica fala da equipe da Casa Guilherme de Almeida cuja abordagem do tema focou-se na idéia da apropriação de públicos que, às vezes, cremos inusuais ao espaços dos museus: idosos, surdos e as novas gerações que não necessariamente são novas ao olhar da idade e da interação com estes lugares.

 

Partindo dos pressupostos das linguagens itinerantes, pudemos constatar que a Casa Guilherme de Almeida também desenvolve um trabalho de divulgação em mídias virtuais diversificando os olhares com relação às atividades desenvolvidas no museu.

 

 

Com abordagens inovadoras como visitas-educativas em libras gravadas em tabletes e disponibilizadas para os visitantes surdos, ou, ações voltadas para os novos públicos da terceira idade, vemos que a tecnologia constitui-se como uma abertura para pensarmos de forma estética a relação entre o visitante, o museu, o fato-museal, o patrimônio, a memória: o fato-urbano.

 

 

Por fim, abordamos algumas temáticas referentes às ações desenvolvidas na Casa das Rosas de forma a explorar as interatividades que as redes proporcionam para a divulgação de nossas ações mais os desdobramentos e efeitos que essas causam e, ainda, poderão causar.

 

Partindo-se da exposição Pisho Xodô que ocupou a Casa das Rosas entre os meses de abril e maio e cuja temática abordou um intrínseco diálogo entre os universos da pichação e do shodô – tradicional arte da expressão caligráfica japonesa que se diferencia do termo shuji devido, a grosso modo, de essa explorar formas mais expressivas às letras comparando-se àquela que enfatiza o treino da escrita. Além destas temáticas apresentarem-se como inovadoras com relação à comunhão e a convivência dessas linguagens num espaço promotor do diálogo e das possíveis interseções dessas ações frente àquilo que enxergamos por – letras, realizamos uma abordagem virtualizante dessas imagens por meio de uma divulgação simultânea das ações desenvolvidas na vernissagem conhecida popularmente como streaming.

 

 

 

 Também criamos um grupo de discussões aberto pela página Facebook no qual alguns materiais sobre exposição, duas oficinas e demais ações eram divulgadas e discutidas juntamente com o público dando a chance para que os interessados no tema pudessem expor, discutir e refletir conjuntamente sobre os assuntos da mostra. Essa ação mostrou-se extremamente positiva para discutirmos de maneira coletiva as problematizações entre a pichação e as temáticas daquilo que compreendemos por museu: é um espaço aberto as manifestações urbanas, por muitos, consideradas marginais?

 

 

 

 

Outro momento importante apresentado refere-se à visita-educativa desenvolvida pelo Núcleo Educativo da Casa das Rosas chamada Faz do Colo uma Casa cuja proposta foca-se na apresentação do museu para o público da primeira infância. Por meio de uma câmera gopro disponibilizada para os pequenos dentre outros materiais que estimulam a sensorialidade como meio-primeiro de aproximação ao mundo realizamos uma atividade na qual os pequenos à medida que interagiam com a câmera tinham sua imagem projetada na parede, proporcionando-lhes a chance de poderem ver sua imagem enquanto a manipulam. Fato que traz à tona as chances de reconhecimento de si mesmo, se sua alteridade com relação ao eu e à concepção do quê é outro.

 

 

Diante de tantas questões abordadas e um rico debate levado a cabo após as apresentações, vale a pena enfatizarmos alguns pontos sobre o uso da tecnologia nos museus que além de potencializarem os temas da democratização do espaço, divulgação das ações e respectivos acervos, tratam de uma estética nova para pensarmos as imagens, objetos e conexões de memória com o patrimônio.

 

O uso dos códigos QR como uma nova forma de escrita nômade, esquizóide e rizomática capaz de englobar, outras linguagens – poiesis – que não somente as verbais e escritas. Associadas aos RAs (instrumentos de realidade aumentada), essas novas manifestações comunicativas que o uso de códigos para além do código de barras transforma, por exemplo, nosso “antigo” telefone com câmera, em um controle remoto de ações, espaços, museus e cidades interativas, um órgão de visualização do que os olhos não vêem, uma evidência do processo de imbricação do virtual no real.

 

Suíte para mobile tags de Giselle Beiguelman e Maurício Fleuty. O projeto permite a composição coletiva e anônima a partir de QR-Codes.

 

Diferentemente da realidade virtual, seus recursos permitem suplementar o mundo físico com informações, em vez de substituí-lo, fazendo com que coexistam no mesmo espaço objetos virtuais e objetos reais (Azuma, 1997). Nesse sentido, vale citar que o termo estética – aisthésis: sensação – não se restringe à tradição filosófica do século dezoito, como o estudo do belo na arte, mas se amplia a toda dimensão da sensibilidade e não estreitamente à beleza, como foi a marca do desenvolvimento histórico dessa categoria conceitual.

 

A estética relaciona-se com nossa capacidade de aprender a realidade pelos canais da sensibilidade e põe em movimento uma disposição lúdica para a atividade criadora. Remete ao sensível, que envolve todo o sujeito e traz uma profunda inserção na totalidade da vida. O sensível força o sujeito a lidar com as novas possibilidades geradas na experiência. Por isso, a experiência estética é interessante e tangencia essa nova relação das ações tecnológicas nos espaços tão cambiantes de conceitos que são os museus. Somente o uso de tecnologia, com o simples aproveitamento das facilidades que ela oferece, não garante o desenvolvimento de um pensamento artístico ou da construção de um saber em Arte. Conhecer o instrumento de trabalho e as possibilidades que ele oferece é essencial, mas ir além da mera aplicação dessas possibilidades é fundamental.

 

A diversidade de possibilidades que são oferecidas com as tecnologias contemporâneas, em ensino e elaborações artísticas, deve ampliar, e não restringir, o estudo crítico que seja ensinar e, ou, fazer arte num momento, num contexto, para aquela pessoa em relação às outras pessoas, nas processualidades e nas implicações, estéticas, daí advindas.

 

A estética tem uma finalidade aberta, ainda mais exposta sobre os novos raios tecnológicos, que lança luz sobre a diferença, mostra faces que não são apreendidas de modo exclusivamente racional e, por isso, pode ampliar nossa compreensão para lidar com aplicação educativa daquilo que compreendemos por ético.

 

[i] Das Kunstwerk im Zeitalter seiner technischen Reproduzierbarkeit. A obra de arte na Época de suas técnicas de reprodução. Tradução de José Lino Grünnewald.

[ii] Vale a pena apontarmos uma pequena relação om relação ao arte como derivação do latim ars como tradução da palavra do grego clássico techné. Tal verbete simboliza aquilo que coaduna a relação da sensação com o fazer, ou seja, com a práxis e a qualidade de percepção e reconhecimento do seujeito enquanto ser-ativo para aquilo que faz, aquilo que se promulga no mundo, que imprime suas condições e relações de entendimento com o ser-Mundo.

 

Referências

BEIGUELMAN, Giselle. Futuros Possíveis: Arte, Museus e Arquivos Digitais. São Paulo: Edusp, 2015.

BOURRIAUD, Nicolas. Radicantes. São Paulo: Martins Fontes, 2009.

BRUNO, Fernanda. Máquinas de ver, modos de ser: vigilância, tecnologia e subjetividade. São Paulo: Editora Sulina, 2012.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz & Terra, 2015.

FLUSSER, Vilém. Filosofia da Caixa Preta. São Paulo: Hucitec, 2008.

TIBURI, Márcia; HERMANN, Nadja. Diálogo, Educação. São Paulo: Senac, 2014

 

 

 


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