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MURAL LITERÁRIO

Por quem a vara açoita?
Machado de Assis está mais atual do que nunca. Esse gigante das palavras e das ideias nos deixou fórmulas, pistas, um verdadeiro manual de sobrevivência. O caso da Vara, um dos mais conhecidos de seus contos traz em sua narrativa toda a simbologia do comportamento de uma época , da sociedade escravagista, sexista, 1 racista, de mentalidade colonialista - entre outros “-istas”. O escritor nos revela um episódio do cotidiano daquela época, que nos remete a uma alegoria do perfil macrossocial em processo. O encontro das múltiplas culturas vai projetando, no imenso caldeirão cultural em ebulição, os contornos da identidade de um povo. No conto, o escritor nos dá elementos de alguns traços, entre eles o do apadrinhamento e clientelismo. Damião, João Carneiro, o Compadre, Sinhá Rita, Lucrécia e a Vara. A vara no canto da sala, singular personagem. No conto, podemos sentir a vida fluindo, as emoções de medo, confiança e desconfiança, entre outras. A presença da “autoridade”, “lealdade”, “poder”, “capricho”, este muitas vezes, como no conto, torna-se uma questão quase de vida ou morte, com o desfecho sombrio para Lucrécia. A Vara se revela o símbolo da relação e do pacto entre os poderosos. Ao longo do tempo ela poderia ter sido esquecida, escondida ou destruída, mas, ocupa até hoje um espaço. Tem a característica de mudar de forma e tornar-se invisível. Permeia a sociedade nas suas vicissitudes, de forma não só física, mas também subjetiva, já que ocupa o seu imaginário. A vida parece transcorrer normalmente, no vai e vem do cotidiano. As pessoas em seus afazeres, não se dão conta da sua existência, desatentas ao perigoso e sutil elemento, que, não muito raro reaparece assombrosa e tragicamente. De repente, num átimo, numa distração, num daqueles instantes em que os sentidos estão voltados aos raros momentos de contentamento e esperança, lança-se mão desse instrumento, enraizado à uma realidade já há muito indesejada. Damião não podia voltar ao seminário, precisava do favor da Sinhá Rita e ao mesmo tempo se compadecia da Lucrécia, uma decisão precisava ser tomada. Assim o poder se sustenta, desde o poder numa sala de bordadeiras, com Sinhá Rita, uma espécie de feitora doméstica, até os mais altos níveis sociais, de favores, concessões, trocas e conchavos. A vara, malfadada e cruel, muda de mãos, porque se “pode” e não porque se “quer”, apresentando ao mais fraco o lugar inóspito, como a presa fácil, deixada para trás aos predadores. Em meio aos acordos e pactos relacionais uma atitude é tomada, os interesses mensurados, e a vara usada, não inevitável, mas programaticamente, hospedando a questão do poder e não do querer. Ela açoita, agarrada à mão de quem a detém, como um prolongamento, um tentáculo danoso.

Janete de Lima Pinheiro / escritora - São Paulo/SP
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