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MURAL LITERÁRIO

A CRISTALEIRA
A Cristaleira
Ela sempre sonhou em ter uma cristaleira vermelha na sala de estar. Dizia que aquele cristal tinha
um valor especial, já que aquelas peças haviam sido quebradas e foram necessárias horas e horas
para juntá-las. Todos os dias ao voltar do trabalho, passava e entrava na loja. Valor, a loja chamava.
Entrava e 'namorava' aquela cristaleira. Assim foi, por um ano.
No final do ano passado, pôde finalmente, comprá-la. Saiu da loja, pulando como uma criança e
correndo para a sua casa à espera do montador para montar a sua cristaleira. Assim foi. Um
momento de valor, como aquela loja. 
Como a cristaleira já vinha com as taças e os copos de diferentes modelos, cada dia ela tomava um
suco em um. Eram 30, exatamente. Sentava na cadeira da sala, e ali totalmente presente, ela se
vislumbrava. Um mês com trinta possibilidades. 
Assim foi janeiro. Fevereiro, ela começou a escolher os copos que mais gostava: largos e decorados
com flores. Assim, parece que estou no século XVIII - pensava.
Deve ter usado uns 20 copos. 
Março foi o mesmo. Abril: o mês em que começou a trabalhar mais, chegava em casa e escolhia o
primeiro copo da prateleira. Fazia seu suco rapidamente, tomava-o, lavava o copo e voila! Próximo
dia, pegava o mesmo. 
O que era um sonho, havia se tornado um hábito. 
Sexta-feira. Naquele dia, ela teria uma palestra no trabalho. Acordou mais cedo indisposta, mas
vestiu um vestido preto e elegante para o evento com um sapato de salto baixo, também preto.
Colocou um cachecol aveludado e um brinco de pérola.
Uma pessoa sábia, todos diziam - quando perguntavam ao chefe, quem faria a palestra. Curta,
objetiva e profunda. Foi no final do dia, prestes a chegar o fim de semana para finalmente,
descansar. Acabou exatamente às 18 horas e todos foram convidados à uma mesa de livros do lado
externo para comprar algum livro ou pedir autógrafo ao autor.
Apressada para ir embora, não estava muito interessada em ficar ali, quando o autor passou por ela
e ao vê-la com o celular na mão, disse, simpático: ok, vamos tirar a selfie? 
Ela, sem entender - imediatamente - olhou para ele e segundos depois, falou: vamos - e tiraram.
Agradeceu. Aquele momento a tocou (por quê ele a pediu uma selfie, sendo que ela estava apenas
olhando a tela?). Resolveu dar uma olhada nos livros expostos. Havia livros de contos e de poemas.
Pegou um de poemas, aleatório e abriu em uma página qualquer. "Você se sacia com facilidade?"
era o título do poema. Leu, releu. Pediu um autógrafo e foi para a casa, lentamente. Ao chegar lá,
não foi fazer o suco, como de costume. Tirou os sapatos apertados, abriu um vinho, sentou no sofá e

com a taça de vinho ali, abriu o livro naquele poema e de verso em verso, lia, parava, e olhava... A
cristaleira.

Daniela Castro
CASA DAS ROSAS
ESPAÇO HAROLDO DE CAMPOS DE POESIA E LITERATURA
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